Recorremos em tempos aos argumentos (insuspeitos) do Relatório Porter para afirmarmos o ainda pouco profissionalismo da imagem dos vinhos em Portugal. Nunca será de mais voltar ao assunto na tentativa de se poder inverter a situação. Todos reconhecemos que a qualidade do vinho em Portugal evoluiu muito nas últimas décadas. Contudo, esse resultado não foi acompanhado pelo seu design de comunicação. E porquê? Fundamentalmente, porque a confiança dos produtores no saber dos profissionais do design não é a mesma que na viticultura ou na enologia. Ainda que a sua formação seja semelhante em tempo, exigência e rigor. Tal como apontava o referido relatório, os serviços de design em Portugal são muito negligenciados, entregues a pessoas menos qualificadas, feitos por familiares e amigos e, quantas vezes, pelos próprios proprietários. Seja o presidente de uma Adega Cooperativa, seja um jovem e dinâmico empresário/produtor, a atitude e a responsabilidade perante este problema tem sido, infelizmente, semelhante. (A título de exemplo, é frequente encontrarmos, numa das maiores empresas de impressão de rótulos, produtores sentados em frente a ecrãs de computador, ao lado de técnicos de informática, dando indicações, escolhendo cores, fazendo os seus rótulos na hora!)
Por outro lado, mesmo quando recorrem a bons profissionais de design, a grande maioria dos produtores (ou dos agentes responsáveis pela imagem do vinho), não confia nas soluções dos designers e exige ter sempre a "última palavra". E a última palavra — que se justifica enquanto aprovação — é, normalmente, um conjunto de alterações ao projecto finalizado, alterações essas que o desvirtuam: a substituição de uma cor por outra "mais apelativa", "mais discreta" ou a "que a esposa recomenda"; o aumento do corpo das letras, que não precisam de o ser, ou a mudança para um tipo mais fantasioso; a inclusão de mais um texto redundante ou de um slogan fora de moda; a substituição da imagem simbólica por outra mais literal... Quando não solicitam "copiar discretamente" a solução do rótulo do vinho concorrente, que vende mais.
Um produtor ao entender a estratégia do negócio e da comunicação dos vinhos como um prolongamento da sua pessoa, do seu gosto e do seu orgulho individualista – de quem tudo pode e decide –, está a esquecer o mais importante: a competência! Competência que é maioritariamente técnica. Mas também, e porque o mercado assim o exige, esquece a adequação ao gosto dos tempos, dos consumidores, do que estes estarão dispostos a pagar e aquilo que os possa surpreender.
Esta situação mostra, acima de tudo, como ainda não se entende realmente o que é o design. O design é um serviço. Como tal, objectiva o sucesso do produto que trabalha e, consequentemente, o sucesso de quem serve.
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O cuidado com as semelhanças
Depois de elogiarmos a imagem global "colheita tardia" M, da Herdade da Mingorra, recebemos alguns comentários apontando o facto da imagem parecer demasiado colada ao design de duas bebidas: um ponche sueco Blossa Glögg, e um whisky canadiano, Bull-a-Rook. Inspiração ou coincidência? Cópia declarada? Não cremos... Nada retiramos à crítica então feita. Reforçamos a ideia de que, ainda que sem os atributos de eloquência das embalagens em causa — e que aqui se mostram —, a imagem do vinho M distingue-se dos demais vinhos da Herdade e da maioria da produção nacional concorrente. Pela elegância do seu grafismo, contemporaneidade e, acima de tudo, pela adequação do design, continua a merecer o nosso elogio.
A cópia ou o plágio, a inspiração ou a citação, muitas vezes a simples semelhança ou coincidência, têm sido alimento de longas conversas e polémicas — e de invejas e frustrações —, principalmente entre designers mal formados. Sabemos que é o sentido ético de cada designer que determina os procedimentos correctos num projecto. Mas isso nem sempre chega. Para se evitar dissabores, é de todo conveniente possuir uma vasta cultura e um conhecimento actualizado do "estado da arte".
Quantos clientes não nos abordaram já, dizendo que pretendem uma solução de design igual à que viram na revista x ou no concorrente y?! Seja por desconhecimento do que isso implica, ingenuidade, atrevimento ou mesmo pura pilhagem, competirá pois ao designer exercer o seu papel profissional, ético e pedagógico. Mesmo correndo o risco de perder um cliente para sempre.
A cópia ou o plágio, a inspiração ou a citação, muitas vezes a simples semelhança ou coincidência, têm sido alimento de longas conversas e polémicas — e de invejas e frustrações —, principalmente entre designers mal formados. Sabemos que é o sentido ético de cada designer que determina os procedimentos correctos num projecto. Mas isso nem sempre chega. Para se evitar dissabores, é de todo conveniente possuir uma vasta cultura e um conhecimento actualizado do "estado da arte".
Quantos clientes não nos abordaram já, dizendo que pretendem uma solução de design igual à que viram na revista x ou no concorrente y?! Seja por desconhecimento do que isso implica, ingenuidade, atrevimento ou mesmo pura pilhagem, competirá pois ao designer exercer o seu papel profissional, ético e pedagógico. Mesmo correndo o risco de perder um cliente para sempre.
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