Os rótulos da marca Monte do Pintor da Sociedade Agrícola da Sossega, Lda são pobres visual e funcionalmente: Escultor, Monte do Pintor Reserva, Monte do Pintor e Pequeno Pintor. A qualidade do seu design fica muito aquém da excelência do seu vinho: iconografia insípida (esboço de sobreiros, demasiado primário); texto manuscrito de mau desenho (no rótulo "Pequeno Pintor 2006" é mesmo muito mau); tipografia do chamado contra-rótulo pouco exigente. Resultado: carácter, expressão e impacto visual mudos. Contudo, a empresa exprime com algum entusiasmo no seu site (de design igualmente débil) que os rótulos "são de autoria do Escultor Português João Cutileiro"! Não questionamos o reconhecimento e importância do artista na história da arte portuguesa do séc. XX — nomeadamente na renovação da escultura e até da estatuária portuguesa nas décadas de 60 e 70 —, mas pomos em causa o valor/resultado da sua contribuição. Percebemos as ligações apetecíveis entre o vinho e o prestígio do artista, o Alentejo comum, e outras que porventura desconhecemos; mas nada justifica a má solução apresentada.
Num bom design, todas as ampliações de sentido podem acontecer depois de cumpridas as exigências do seu programa básico. Programa esse determinado sempre pelo objectivo, independente da maior ou menor disposição que cada autor tem para lidar com os constrangimentos inerentes.
