Mostrar mensagens com a etiqueta M. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta M. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O cuidado com as semelhanças

Depois de elogiarmos a imagem global "colheita tardia" M, da Herdade da Mingorra, recebemos alguns comentários apontando o facto da imagem parecer demasiado colada ao design de duas bebidas: um ponche sueco Blossa Glögg, e um whisky canadiano, Bull-a-Rook. Inspiração ou coincidência? Cópia declarada? Não cremos... Nada retiramos à crítica então feita. Reforçamos a ideia de que, ainda que sem os atributos de eloquência das embalagens em causa — e que aqui se mostram —, a imagem do vinho M distingue-se dos demais vinhos da Herdade e da maioria da produção nacional concorrente. Pela elegância do seu grafismo, contemporaneidade e, acima de tudo, pela adequação do design, continua a merecer o nosso elogio.

A cópia ou o plágio, a inspiração ou a citação, muitas vezes a simples semelhança ou coincidência, têm sido alimento de longas conversas e polémicas — e de invejas e frustrações —, principalmente entre designers mal formados. Sabemos que é o sentido ético de cada designer que determina os procedimentos correctos num projecto. Mas isso nem sempre chega. Para se evitar dissabores, é de todo conveniente possuir uma vasta cultura e um conhecimento actualizado do "estado da arte".


Quantos clientes não nos abordaram já, dizendo que pretendem uma solução de design igual à que viram na revista x ou no concorrente y?! Seja por desconhecimento do que isso implica, ingenuidade, atrevimento ou mesmo pura pilhagem, competirá pois ao designer exercer o seu papel profissional, ético e pedagógico. Mesmo correndo o risco de perder um cliente para sempre.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O design do cliente

Um designer competente, ou um gabinete de design, não deve fazer o que o cliente quer mas antes projectar aquilo que o cliente ainda não sabe que quer. Só assim a disciplina e a prática do design se justificam. Só assim as competências e o diálogo se podem assumir por inteiro. E só assim, também, o designer prestará o melhor serviço. Um cliente convencido que sabe sempre o que quer — mesmo em áreas em que pouco sabe ou nada aprendeu — só precisa de um técnico que execute; não precisa de contratar um designer. 

Henrique Uva/Herdade da Mingorra apresenta uma imagem interessante no seu vinho M, colheita tardia ou "late harvest". A singularidade da garrafa, afastando-se dos tradicionais modelos estreitos, neste tipo de vinho (de sobremesa ou aperitivo); a delicadeza do nome e do grafismo (questionamos apenas a opção pelo tipo de letra moderno, um tanto amaneirado); a impressão a ouro, à semelhança da cor do vinho; a gargantilha distinta a condizer; a limpeza de informação no rótulo, remetendo-a para os bastidores do contra-rótulo (aqui menos conseguido): fazem do todo uma combinação harmoniosa de coerência, carácter e elegância e, para muitos, será certamente um bom exemplo de originalidade...

Entretanto pode ler-se no blogue da empresa responsável pelo seu design: "O Rótulo Late Harvest (colheita tardia) da Mingorra foi desenvolvido com a grande cumplicidade de Isabel Uva que de uma forma apaixonada defendeu a sua ideia até à conclusão do projecto e no fim, apenas lhe podemos dar os parabéns pela sua visão". Na sequência destas palavras dir-se-á que o primeiro parágrafo deste post perde o seu sentido. Contudo, consultado o portefólio de rótulos desenhados pela "agência de design e comunicação" em causa, constatámos que todos eles evidenciam a falta de carácter e de eloquência que caracteriza a produção nacional, nomeadamente quanto ao uso da tipografia, elemento principal na comunicação de rótulos. Desconhecendo o processo metodológico do projecto, só podemos afirmar que a troca de papéis acabou por funcionar.

Não é um diploma em design que faz um bom profissional de imagem de vinhos. Nem uma carteira de clientes mais ou menos famosos, nem 
um portefólio vasto garantem eloquência. Designers especializados, irrepreensíveis — como em todas as profissões  não abundam.