sexta-feira, 1 de julho de 2011

Joana Vasconcelos, Esporão - design e autoria

Habituámo-nos (e ainda bem) a reconhecer que em design o autor não é o mais importante. Por detrás dos artefactos ou mensagens eficazes, o anonimato credibiliza ainda mais as suas qualidades. Já quanto à obra artística (essencialmente a contemporânea), sem o referente autoral perde valor e sentido: dessacraliza-se.

Os rótulos dos Esporão Reserva e Private Selection são bem desenhados e marcam a diferença. E são rótulos de artista. Desde o seu lançamento, em todos as publicações onde apareceram, se deu destaque à autora das imagens neles reproduzidas – Joana Vasconcelos. Reconhecida hoje como uma das artistas mais mediáticas em Portugal, Joana Vasconcelos precisa do estatuto autoral, e da fama, para que a sua obra se afirme. O seu trabalho não reflete o apego oficinal (ainda que dele se sirva) das belas-artes tradicionais; procura antes na formalização das ideias que trabalha, o seu sentido e a sua expressão. E não se torna relevante se produz composições/narrativas com plásticos, rendas ou tachos; se falam de luxo, da condição feminina ou de outras mitologias. Desligadas da autora, as obras de Joana Vasconcelos não resistiriam e correriam o risco de serem lidas como uma espécie de objetos Guinness of Records. O "não fazer" material – do desenho, da habilidade, do tique ou da expressão plástica – precisa quase sempre, para se aplaudir, que se abra a cortina autoral (para além da literatura e do marketing, claro).

Acontece que o autor da imagem global dos rótulos em causa é um designer. Mas, como se reconheceu no início deste texto, a sua invisibilidade imperou e o designer/autor nunca foi referido nas notícias. Nem precisava. Contudo, foi a excelente qualidade do design dos rótulos que permitiu que Joana Vasconcelos brilhasse. Sabemos nós que foi Eduardo Aires quem desenhou os rótulos: escolheu as peças, trabalhou as imagens, compôs o texto, definiu processos de impressão, coordenou e aprovou resultados. Resumindo, projetou.

Se o design gráfico se limitasse a uma mera operação técnica – como muitos ainda o entendem – jamais a qualidade dos rótulos Esporão seria esta!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Design assim-assim

Design "assim-assim" quer dizer que nem é bom nem mau. Mas sempre é melhor do que mau. Perante um design assim-assim sabemos que alguma coisa falha.

A imagem do Bétula Branco 2009 tem um design assim-assim. Apresenta um rótulo contido que objectiva a elegância e a modernidade. Segue a orientação de limpeza textual que hoje tanto se procura. (Reforça-se a expressividade da comunicação – referentes estético-simbólicos – em detrimento da carga informativa, remetendo-se esta para o contra-rótulo. E a opção é mais do que justificada já que os elementos obrigatórios a incluir nos rótulos são demasiados e muitas das regras visuais são amadoras.) Foi essa a opção do Bétula. Rótulo iconográfico, aparentemente abstracto, cuja ilustração – evocando ramos de bétula – se afasta da representação literal. Se a imagem se afirma neste sentido: expressiva, moderna e sensível de desenho, já a tipografia destoa. O tipo de letra usado revela-se uma escolha anacrónica: é demasiado marcante e condiciona a imagem, desvirtuando-a. Desenhado por Carol Twombly em 1989, o tipo Lithos inspira-se nos caracteres lapidares gregos. O seu padrão genético nada tem a ver com a geografia e a semântica do Douro (ainda que falemos aqui de Resende) nem se enquadra na nossa tradição tipográfica, de cariz latino. Muito menos se trata de um tipo funcional para texto informativo, por isso também não se entende a sua adopção para toda a literatura do contra-rótulo. Concluímos com um reparo para a dissonância cromática e exagero gráfico da gargantilha.

Apesar do que se disse, a imagem do Bétula não é má. Contudo, é bem melhor o vinho do que o seu visual. Bastaria um pouco mais de conhecimento de design tipográfico para que a harmonia se estabelecesse. Recomendam-se pois o vinho para este Verão e maior investimento no seu design gráfico para o próximo ano.

Nota: Este comentário crítico é o primeiro feito sobre um vinho enviado pelo produtor para apreciação. Os nossos agradecimentos aos responsáveis pelo seu envio.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A imagem do vinho em revista e as tendências

Um inquérito recente veio revelar que a imagem, a cor e o preço são os factores que mais condicionam a opção de compra do vinho no Reino Unido. O estudo não aponta preferências mas o facto da imagem ser, por si só, tão determinante deve constituir uma preocupação séria para quem produz, comercializa e exporta vinho.

Ao encontro desta preocupação veio também, muito a propósito, o último número (44) da revista Paixão pelo Vinho. Num artigo intitulado "A Imagem do Vinho", Maria Helena Duarte tenta sensibilizar os seus leitores para esse factor determinante que é a comunicação visual do vinho. Pena que o artigo não tivesse sido mais profundo, mais esclarecedor e mais rigoroso. Afirmações como "a Grafismos com Alma quer captar a alma do vinho, para que num olhar, ele seja único entre tantos" elucidam muito pouco. Desconfiamos destas ideias de natureza emocional: quase sempre menosprezam a vertente técnica do processo. Já a passagem sobre a importância do programa num projecto de imagem do vinho, por exemplo, merecem o nosso elogio. Mas é na referência às "tendências" que o artigo se torna menos rigoroso. Diz-se: "Fazendo uma pesquisa pelo mundo, ao nível da imagem, verifica-se que as tendências atuais passam pela utilização de ilustrações, tipografias diversas, ambientes retro, cortantes mais ousados, altos relevos e texturas (...)". Nada que não tivesse já sido feito em rótulos portugueses de Vinho do Porto nos anos 20, 30 ou 40. A mudança acontece hoje, essencialmente, pelo lado da retórica e da semântica da comunicação gráfica. A ideia de tendência – importada do mundo da moda – torna-se uma fragilidade em design. É contrária à sua natureza projectual. Um bom projecto de imagem de vinho não deve ir atrás de tendências mas antes direccionar o apelo criativo para a procura de soluções, inovadores ou conservadoras, que mais se adequem ao propósito do programa.
O artigo termina referindo a necessidade de uma estratégia global para a comunicação do vinho. Estratégia que não deve passar apenas pelo rótulo. MHD dá aqui uma boa ajuda na contextualização do problema.

Por tudo o que se disse, e embora contendo falhas evidentes – repete o mesmo texto em duas páginas, não legenda nem inclui créditos autorais nos exemplos que mostra –, o artigo é um contributo pertinente e merece uma leitura.

Nota: Qualquer publicação que tenha como propósito divulgar o vinho não pode deixar de lado a sua comunicação. Estranhamos que as outras duas revistas (Revista de Vinhos e Wine) o não façam regularmente. Para lá dos concursos que promovem, as referências ao design de imagem do vinho não têm sido, infelizmente, presença assídua em nenhuma delas.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Confiança no design

Recorremos em tempos aos argumentos (insuspeitos) do Relatório Porter para afirmarmos o ainda pouco profissionalismo da imagem dos vinhos em Portugal. Nunca será de mais voltar ao assunto na tentativa de se poder inverter a situação. Todos reconhecemos que a qualidade do vinho em Portugal evoluiu muito nas últimas décadas. Contudo, esse resultado não foi acompanhado pelo seu design de comunicação. E porquê? Fundamentalmente, porque a confiança dos produtores no saber dos profissionais do design não é a mesma que na viticultura ou na enologia. Ainda que a sua formação seja semelhante em tempo, exigência e rigor. Tal como apontava o referido relatório, os serviços de design em Portugal são muito negligenciados, entregues a pessoas menos qualificadas, feitos por familiares e amigos e, quantas vezes, pelos próprios proprietários. Seja o presidente de uma Adega Cooperativa, seja um jovem e dinâmico empresário/produtor, a atitude e a responsabilidade perante este problema tem sido, infelizmente, semelhante. (A título de exemplo, é frequente encontrarmos, numa das maiores empresas de impressão de rótulos, produtores sentados em frente a ecrãs de computador, ao lado de técnicos de informática, dando indicações, escolhendo cores, fazendo os seus rótulos na hora!)

Por outro lado, mesmo quando recorrem a bons profissionais de design, a grande maioria dos produtores (ou dos agentes responsáveis pela imagem do vinho), não confia nas soluções dos designers e exige ter sempre a "última palavra". E a última palavra — que se justifica enquanto aprovação — é, normalmente, um conjunto de alterações ao projecto finalizado, alterações essas que o desvirtuam: a substituição de uma cor por outra "mais apelativa", "mais discreta" ou a "que a esposa recomenda"; o aumento do corpo das letras, que não precisam de o ser, ou a mudança para um tipo mais fantasioso; a inclusão de mais um texto redundante ou de um slogan fora de moda; a substituição da imagem simbólica por outra mais literal... Quando não solicitam "copiar discretamente" a solução do rótulo do vinho concorrente, que vende mais.

Um produtor ao entender a estratégia do negócio e da comunicação dos vinhos como um prolongamento da sua pessoa, do seu gosto e do seu orgulho individualista – de quem tudo pode e decide –, está a esquecer o mais importante: a competência! Competência que é maioritariamente técnica. Mas também, e porque o mercado assim o exige, esquece a adequação ao gosto dos tempos, dos consumidores, do que estes estarão dispostos a pagar e aquilo que os possa surpreender.

Esta situação mostra, acima de tudo, como ainda não se entende realmente o que é o design. O design é um serviço. Como tal, objectiva o sucesso do produto que trabalha e, consequentemente, o sucesso de quem serve.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O rei vai nu — Nota breve IV

O pior que pode acontecer ao autor de uma "grande" ideia é constatar que outro a teve primeiro. E, pior ainda, é ter evidenciado vaidade com a sua grandeza.

No artigo sobre o vinho 8, da Adega Mayor, transcrevemos a ideia que presidiu à justificação do nome e da estratégia de comunicação: "No dia 08/08/2008 o mundo assistiu à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Nesse mesmo dia, às 8 da manhã em Portugal, 8 pessoas começaram a encher a primeira de 8008 garrafas numeradas, celebrando o espírito da criação." Recebemos, dias depois, um comentário de um amigo, com o seguinte relato sobre a empresa 9"Em 1999, às 9 da noite, estavam sentadas a uma mesa, 9 pessoas que decidiram abrir uma nova agência de comunicação. Os 9 sócios definiram que a agência tinha que ser original. Importaram um conceito de sucesso nos EUA, mas que seria uma novidade em Portugal. Assim nasceu a 9 The Creative Shop."

Felizmente os números são infindáveis. Tal como a espiral das ideias. Contudo, não podemos deixar de nos interrogar se essas "grandes" ideias que se vendem por aí, como sendo as mais originais na comunicação do vinho, não servirão apenas para cobrir a nudeza do rei.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Decoração

Da construção narrativa complexa ao aproveitamento do acidente, da excentricidade material do luxo à colagem bruta do vernacular, a pós-modernidade tudo justifica. Ao propor a decoração por si só, mesmo quando se articula através de uma estrutura de ideias, de materiais, de funções, o que propõe é quase sempre o individualismo — sem identidade definida —, a moda, a irrealidade. A comunicação e o apelo aos sentidos que promove é evasiva e não requer compromisso. Quantas vezes não faz desse monólogo o argumento do seu programa?! 

Um rótulo ou uma imagem pós-moderna de um vinho não é diferente. Valoriza quase sempre a irrealidade, a estória e a moda, em vez do material, do objecto e da adequação. No último concurso de imagem do vinho organizado pela Revista de Vinhos (embora demasiado regional, o júri incluía, felizmente, profissionais de design), o prémio mais importante foi para um vinho cujo design de imagem poderemos situar nessa valorização decorativa pós-moderna — o vinho Arrepiado Regional Alentejano tinto 2007 da Herdade do Arrepiado.

Imagem excêntrica, entra-nos na mente pelo seu lado decorativo, barroco, de exuberância formal. Informação reduzida, carácter evasivo mas de forte apelo visual, encontra justificação plena nas palavras da sua autora: "O meu principal objectivo quando desenho é comunicar, e comunicar sem grandes argumentos e explicações, de forma o mais intuitiva possível. Tento acrescentar ao produto sensações visuais interessantes que joguem com todos os sentidos (...)"
Não pondo em causa o objecto premiado, não nos entusiasma nem a solução nem o método. Um rótulo ou uma imagem de um vinho é sempre um projecto de design. Por mais intervenientes de outras áreas que interfiram ou de ideias que abrace durante o processo. Enquanto projecto, deve obedecer a um programa, identificar a hierarquia de funções e apresentar soluções inovadoras ou conservadoras que o sirvam. Os designers têm hoje a obrigação de saber reconhecer as limitações da modernidade mas também a nebulosidade pós-moderna que nem sempre permite vislumbrar o essencial.







segunda-feira, 14 de março de 2011

O excesso de "brand" no vinho

A ideia de marca (brand, para quem gosta do termo em inglês) persegue-nos por todo o lado. Da garrafa de água ao molho de coentros, passando pelos serviços e iniciativas estatais (Simplex, Allgarve), todos os produtos, naturais ou processados, bons ou maus, essenciais ou inúteis, parecem estar hoje condenados ao implacável "espírito da identidade".

Os vinhos portugueses não são excepção. Centenas de novos produtores multiplicam todos os anos nomes, categorias, sub-categorias de nomes de vinhos regionais e, ultimamente, vinhos de mistura de regiões e até vinhos "apátridas". Uma confusão para o consumidor menos atento já que até os vinhos de um mesmo produtor se apresentam com imagens distintas e distantes entre si. Investe-se cada vez mais no design e no "conceito" dos nomes. Todos procuram "algo diferente". Para isso elaboram-se narrativas e, quantas vezes, discursos sem essência (ver texto anterior), mas para quê? Para que um determinado vinho, semelhante a tantos outros, pretenda um significado para o qual não tem potencial. A excessiva e forçada individualidade imposta aos produtos denuncia quase sempre o contrário: ausência de carácter.

A empresa japonesa MUJI, recentemente chegada a Portugal (que nada tem a ver com vinhos, embora no Japão se dedique também à alimentação), apostou há mais de trinta anos na inversão deste processo. O nome MUJI, sendo ele já uma marca, significa "sem marca". Esta aparente incoerência não mancha o essencial, que aqui se pretende relevar: o investimento que a empresa faz não numa filosofia de marca mas antes no design, na qualidade global de cada produto que vende. E a preços razoavelmente justos.

Por tudo isto podemos afirmar que faz falta aos vinhos portugueses um pouco da estratégia MUJI. A exemplo do excesso de madeira no vinho que caracterizou a nossa produção nos últimos anos – e que felizmente passou de moda –, esperemos que o mesmo suceda ao excesso de identidade, de efeitos visuais, de marcas e de nomes. Que a lógica e a credibilidade da comunicação vinguem pelo mais importante: a qualidade do vinho. Já que mais não seja para bem dos consumidores.

quinta-feira, 10 de março de 2011

De partir o coração – Nota breve III

Há rótulos de vinho que, pior do que serem maus tecnicamente, são incompreensíveis nos dias de hoje... A todos os níveis. O vinho Ping'amor Reserva, da Casa Agrícola Paciência, é um caso paradigmático. O seu rótulo, de formato exótico, para além de não comunicar quase nada, é formalmente deprimente. Apresenta o nome do vinho – de gosto no mínimo duvidoso – em texto mal composto, cores desajustadas que cortam o contraste necessário à boa leitura e umas aspas/pingos horizontais (?) sem que se perceba o seu sentido. O único dado que acrescenta para o consumidor é a palavra Reserva. O contra-rótulo lá vai incluindo a informação obrigatória, embora desordenada, sem critérios hierárquicos e de legibilidade. No meio desta anarquia tipográfica podemos ler o seguinte "poema": "Envolvente e sedutor, para momentos inesquecíveis". Depois de rodarmos a garrafa algumas vezes, descobrimos que afinal rótulo e contra-rótulo formam um coração partido em dois.

Que envolvimento e sedução nos pode trazer um vinho com uma imagem destas?! Uma coisa é certa: trata-se de um rótulo que parte realmente o coração...

terça-feira, 1 de março de 2011

A retórica do vazio

A importância que os valores simbólico e estético têm hoje numa garrafa de vinho, e à volta dela, merece reflexão. O que hoje se espera de um rótulo, ou de uma imagem global de um vinho, não é mais o dispositivo informativo (e de imposição normativa quantas vezes desajustada em critério gráfico e no tempo) mas antes uma narrativa a transbordar significados. Cumprida a primeira fase, os rótulos – tal como a comunicação publicitária em geral –, tornam-se cada vez mais narrativas carregadas de valores estético e simbólico, de apelo aos nossos sentidos. Estas mensagens constroem-se normalmente demasiado distantes do produto, do cliente ou da interacção entre ambos. Por isso denotam algum desprezo pelo receptor, pela sua leitura e interpretação.

O vinho 8 (oito), da Adega Mayor, é um bom exemplo do que atrás se disse. O vinho chama-se 8 mas estamos em crer que se poderia chamar 437, ou 5, ou até 0. Razões haveria para o justificar com facilidade e pretensa erudição. Tal como se justifica o vinho 7: "7 artes, 7 dias da semana, 7 pecados mortais, 7 graus da perfeição, 7 chakras da nossa energia" (sic). Sobre o 8, podemos ler: "No dia 08/08/2008 o mundo assistiu à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. 
Nesse mesmo dia, às 8 da manhã em Portugal, 8 pessoas começaram a encher a primeira de 8008 garrafas numeradas, celebrando o espírito da criação." E o filme promocional do vinho termina com: "8 não é muito nem pouco, é eterno!" A construção até pode ser bonita, poética, metafísica (numerologia?) ou supersticiosa mas... e depois?

A embalagem e o rótulo do vinho 8 seguem as pisadas da sua retórica "conceptual" mas agora em exercício estilístico puro. A imagem é, sem dúvida, original, como pretendem os seus promotores. Tem um grafismo cuidado e foi inclusivamente premiada em concurso promovido por uma revista de marketing e publicidade. Reconhecemos que o recurso à literalidade, à "mera" função, à evocação de um qualquer produto se pode tornar pobre e aborrecida; mas a "banha da cobra" (qual memória descritiva de escola) que nos tentam impingir para vender o vinho, descredibiliza o próprio vinho e quem o faz, o design e a comunicação séria. É demasiado investimento no lado errado, no lado de fora do programa. Ainda que rico em elementos, torna-se um discurso difícil de agarrar. Escapa-se por entre os dedos porque é, acima de tudo, um discurso vazio.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Despida de carácter

A representação naturalista nas artes revela-se hoje como uma atitude muito pouco crítica e inventiva, nada consentânea com o nosso tempo; mas despida (pelada) de erudição, qualquer estilização plástica torna-se num mamarracho. Exemplos destes abundam hoje nas nossas rotundas, geralmente iniciativa de autarcas dinâmicos mas muito pouco cultos. (E sabemos bem as consequências da aliança entre o dinamismo e a ignorância). Custa a entender porque é que a beleza de uma árvore não pode, na maioria das vezes, "decorar a nudez" de uma rotunda em vez do irritante mamarracho escultórico. A Natureza apresenta, por si só, a beleza intrínseca de o ser (daí evocarmos amiúde o conceito de beleza natural). Em contrapartida, a estilização pode ser entendida como a incapacidade humana de igualar a Natureza, ou a tentativa de se sobrepor à sua ordem. No que toca ao design, Charles Eames referia mesmo, numa recomendável entrevista em 1972, que os estilos em design são mais o resultado de uma fragilidade humana do que um ideal.

O vinho Pelada Dão 2003, de Álvaro Castro, apresenta um rótulo atrevido, exótico... Mas mau. É atrevido porque conjuga a ambiguidade do nome da quinta com a nudez e porque a nudez é, ainda na nossa cultura, motivo de inquietação moral (Maria João de Almeida também o referiu numa crónica no seu portal). O rótulo é formalmente exótico porque pretende ser diferente ao repartir-se por três elementos, embora nada justifique essa complexidade. A expressão gráfica do título do vinho é débil, composto num tipo de letra digital que pretende imitar a caligrafia (nunca é a mesma coisa!) e na vertical, dificultando a leitura. A ilustração é artisticamente medíocre e desagradável: estilização de um corpo feminino executada por alguém que pensa que tem jeito. Braço e perna ligados, entrelaçados e unidos a uma bordadura através de um mau desenho manual/digital sem elegância, expressão e sentido anatómico. Tudo isto impresso num papel desajustado, canelado (em jeito de economato de prestígio), pouco recomendado para uma ilustração.

Por hoje se crer em demasia que todo o atrevimento, irreverência e exotismo se justificam, vemos surgir tão maus resultados de imagem de vinhos onde menos se esperaria. É o caso deste vinho de qualidade, oriundo de um produtor de grande prestígio e confiança. O rótulo Pelada Dão 2003, não estando à altura do seu vinho, em vez de o vestir com dignidade e, porque não, também, com sedução erótica, desnuda-o definitivamente. E um corpo assim, pelado, torna-se muito pouco atraente.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Letras "espremidas" - Nota breve II

O autor dos rótulos Quinta da Revolta, do produtor Veredas do Douro Sociedade Agrícola Lda, deveria saber que as letras não são uvas e, por isso, não se devem "espremer". Um tipo de letra, qualquer que ele seja, tem uma autoria e deu trabalho a desenhar, a conseguir a sua proporção, a sua identidade. Que outros, por desconhecimento do que isso representa, lhe destruam a matriz, a eficácia e a harmonia — condensando-o ou expandindo-o — é mau e é, quase sempre, um "crime" que não compensa. Se a justificação é a falta de espaço, existem, e aconselham-se, versões condensadas ou expandidas de origem, em vez do recurso a deformações grosseiras.

O tipo de letra Optima, usado no caso que se ilustra, é um dos desenhos de letra mais originais do reconhecido designer tipográfico alemão Hermann Zapf.  Executado nos anos 50, ainda hoje mantém um uso considerável e a preferência de muitos designers gráficos. Sujeito a várias imitações e derivações, este tipo humanístico não serifado (sem patilhas) possui, por isso mesmo, um estatuto de grande originalidade genética.

Casos como este demonstram uma grande falta de cultura, de rigor profissional e nenhum respeito pelo trabalho de um "colega". E vistos por este prisma, revolta!


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Luxo e lixo visual - Nota breve I

A generalidade dos vinhos sul-africanos que nos chegam surpreende-nos quase sempre pelo seu design gráfico. Acima de tudo pela tipografia clássica bem composta, traduzida numa elegância, equilíbrio e rigor que ultrapassa os nossos melhores exemplares. Mas também pelo recurso ao preto e ao ouro, e à gravura, que marcam e definem claramente um território semântico. O vinho, mesmo o mais económico de uma qualquer região demarcada é, ainda, um produto de valor simbólico elevado. Assim, vinhos de preço acessível tornam-se preciosidades visuais. Sabemos o efeito que isso tem nos consumidores menos especializados e, consequentemente, nas vendas. É abusivo ou anacrónico? Não. Abusivo e anacrónico são vinhos caros ostentando rótulos de autêntico "lixo visual".

Os portugueses — sempre tão afoitos a espreitar o vizinho — ainda não conseguiram implementar uma imagem distinta nos seus vinhos. E nem serão necessárias estratégias de marketing ou estudos sociológicos para justificar a opção. Basta lembrar a frase do famoso carnavalesco brasileiro Joãosinho Trinta: "quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo."

domingo, 31 de outubro de 2010

"Rotulus" Brutalis

O vinho Brutalis 2005, das Caves Vidigal (Leiria), afirma-se ostensivamente como um vinho distinto. Uma ideia que nos agrada sobremaneira. Declara, no seu contra-rótulo, que é contra a globalização e massificação tipológica a que hoje vamos assistindo nos vinhos. De facto, o sentido comercial tem determinado o esbater das diferenças no actual panorama do vinho. É que vinhos para se beberem a todas as horas, e em quaisquer circunstâncias, tendem a ser vinhos com menor carácter. Sabemos que fazer dinheiro com a venda de vinho será semelhante a fazer dinheiro com a venda de um outro produto qualquer. E isso implica forçosamente estratégias de padronização e quantidade. Estratégias que vendem mas que serão contrárias à produção singular, que segue o terroir e as características regionais das castas, da cultura local e do clima.

O Brutalis, ao pretender ser um grito contra essa padronização, apresenta uma imagem que não ajuda. Ainda que lembre remotamente um manifesto — o que seria interessante e coerente —, as componentes gráfica, expressiva e técnica do seu rótulo são de má qualidade. Ausência de critério nas opções pelos diversos tipos de letra, nos seus pesos, na composição do texto (confusa e a preencher todo o espaço); terminando numa má impressão em papel duvidoso... Uma brutalidade (e não "brutal" de espanto, como se desejava), para usar o título do vinho.

Parece que os vinhos interessantes se vêem cada vez mais condenados a serem apenas vinhos simpáticos (à falta de outro adjectivo).  Tal como os rótulos. Fazem falta neste universo da massificação – vínica e gráfica – os gritos e os "manifestos". Mas apenas aqueles cujo conteúdo, propósito, rigor de discurso e de forma se assumam por inteiro e com coerência. Senão viram-se contra si mesmos e confundem-se com mais uma birra de menino irreverente, mal educado.



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Galhofa tipográfica

Subsiste hoje, em Portugal, entre os jovens designers gráficos, uma febre pela tipografia que tarda em amainar... (Actualmente, chama-se tipografia ao estudo/saber e uso das letras. Não é mais a empresa que imprime os rótulos, as facturas ou os catálogos.) Esta área de conhecimento, que esteve arredada dos currículos académicos — mesmo os mais especializados — até à década de 70, afirmou-se pois tardiamente, tornou-se moda e encantou muitos designers. A ponto de os cegar. Pelo menos no que toca à visão das prioridades na comunicação escrita, isto é, sempre que a obsessão pela forma (desenho) das letras e sua composição (critérios de organização do texto) se sobrepõe ao conteúdo, à legibilidade e ao conforto visual do leitor. E, quantas vezes, ao próprio sentido da mensagem.

Temos referido com alguma insistência a má qualidade tipográfica dos rótulos e contra-rótulos dos vinhos portugueses. Mesmo os rótulos dos vinhos de qualidade e de preço elevado. E seria "tão fácil" seguir — no mínimo — critérios de rigor técnico quando não se conseguem atingir os da eloquência!... 

O rótulo do vinho Fraga da Galhofa, Douro 2007 Tinto (tal como o Branco e o Rosé), da Vinilourenço é, de facto, uma galhofa tipográfica. Representa o encantamento de que falávamos, traduzido na má expressão tipográfica. Alia uma miscelânea de corpos (tamanhos) de letras no título (quando a opção foi por um tipo clássico) à tentativa de figurar um galho de videira com parras e cacho de letras (!). Remete a informação que mais pode interessar ao consumidor para um formato legenda, na vertical, e em corpo menor. Resultado: rótulo pouco funcional, má ilustração, título anacrónico e desequilibrado e design global pouco sério. É que "galhofa" significa "brincadeira", "gracejo" ou "escárnio"... E se o nome da Fraga que dá título ao vinho já é "da Galhofa", será inapropriado acentuar o conceito. Um vinho sério e bem feito, como este, merecia um rótulo a condizer e não a imagem tipográfica que exibe.

Em jeito de conclusão, valerá a pena citar a máxima de um amigo: Letras são letras e conhaque é conhaque!




quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O cuidado com as semelhanças

Depois de elogiarmos a imagem global "colheita tardia" M, da Herdade da Mingorra, recebemos alguns comentários apontando o facto da imagem parecer demasiado colada ao design de duas bebidas: um ponche sueco Blossa Glögg, e um whisky canadiano, Bull-a-Rook. Inspiração ou coincidência? Cópia declarada? Não cremos... Nada retiramos à crítica então feita. Reforçamos a ideia de que, ainda que sem os atributos de eloquência das embalagens em causa — e que aqui se mostram —, a imagem do vinho M distingue-se dos demais vinhos da Herdade e da maioria da produção nacional concorrente. Pela elegância do seu grafismo, contemporaneidade e, acima de tudo, pela adequação do design, continua a merecer o nosso elogio.

A cópia ou o plágio, a inspiração ou a citação, muitas vezes a simples semelhança ou coincidência, têm sido alimento de longas conversas e polémicas — e de invejas e frustrações —, principalmente entre designers mal formados. Sabemos que é o sentido ético de cada designer que determina os procedimentos correctos num projecto. Mas isso nem sempre chega. Para se evitar dissabores, é de todo conveniente possuir uma vasta cultura e um conhecimento actualizado do "estado da arte".


Quantos clientes não nos abordaram já, dizendo que pretendem uma solução de design igual à que viram na revista x ou no concorrente y?! Seja por desconhecimento do que isso implica, ingenuidade, atrevimento ou mesmo pura pilhagem, competirá pois ao designer exercer o seu papel profissional, ético e pedagógico. Mesmo correndo o risco de perder um cliente para sempre.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O design do cliente

Um designer competente, ou um gabinete de design, não deve fazer o que o cliente quer mas antes projectar aquilo que o cliente ainda não sabe que quer. Só assim a disciplina e a prática do design se justificam. Só assim as competências e o diálogo se podem assumir por inteiro. E só assim, também, o designer prestará o melhor serviço. Um cliente convencido que sabe sempre o que quer — mesmo em áreas em que pouco sabe ou nada aprendeu — só precisa de um técnico que execute; não precisa de contratar um designer. 

Henrique Uva/Herdade da Mingorra apresenta uma imagem interessante no seu vinho M, colheita tardia ou "late harvest". A singularidade da garrafa, afastando-se dos tradicionais modelos estreitos, neste tipo de vinho (de sobremesa ou aperitivo); a delicadeza do nome e do grafismo (questionamos apenas a opção pelo tipo de letra moderno, um tanto amaneirado); a impressão a ouro, à semelhança da cor do vinho; a gargantilha distinta a condizer; a limpeza de informação no rótulo, remetendo-a para os bastidores do contra-rótulo (aqui menos conseguido): fazem do todo uma combinação harmoniosa de coerência, carácter e elegância e, para muitos, será certamente um bom exemplo de originalidade...

Entretanto pode ler-se no blogue da empresa responsável pelo seu design: "O Rótulo Late Harvest (colheita tardia) da Mingorra foi desenvolvido com a grande cumplicidade de Isabel Uva que de uma forma apaixonada defendeu a sua ideia até à conclusão do projecto e no fim, apenas lhe podemos dar os parabéns pela sua visão". Na sequência destas palavras dir-se-á que o primeiro parágrafo deste post perde o seu sentido. Contudo, consultado o portefólio de rótulos desenhados pela "agência de design e comunicação" em causa, constatámos que todos eles evidenciam a falta de carácter e de eloquência que caracteriza a produção nacional, nomeadamente quanto ao uso da tipografia, elemento principal na comunicação de rótulos. Desconhecendo o processo metodológico do projecto, só podemos afirmar que a troca de papéis acabou por funcionar.

Não é um diploma em design que faz um bom profissional de imagem de vinhos. Nem uma carteira de clientes mais ou menos famosos, nem 
um portefólio vasto garantem eloquência. Designers especializados, irrepreensíveis — como em todas as profissões  não abundam.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Imagem caseira

"Quando o envolvimento no que fazemos se sobrepõe ao propósito e às suas exigências, tende a tolher-nos e a tornar a nossa comunicação uma auto-expressão que poderá interessar muito aos nossos netos mas certamente pouco a quem servimos e menos à cultura em geral." Escrevemos em tempos estas palavras a propósito dos rótulos dos vinhos Cortes de Cima, criticando as ilustrações amadoras e o design insípido que exibem.

Os rótulos dos vinhos da Herdade da Malhadinha Nova, na mesma linha da empresa Cortes de Cima, vão mais longe ao exibirem desenhos das crianças da família. Desenhos semelhantes aos que todos nós, os que temos filhos pequenos, afixamos no escritório ou na porta do frigorífico lá de casa. Correspondem, como a generalidade dos desenhos infantis, a um discurso gráfico estereotipado. São uma forma das crianças comunicarem. Valem porque são feitos pela Alice, pelo João ou pela Francisca e não pelas suas qualidades artísticas. Aos pais enchem de orgulho mas para os outros serão um aborrecimento. Por isso devemos ter o bom senso de sermos contidos ao mostrá-los aos amigos. 
Os vinhos Malhadinha, Monte da Peceguina, Antão Vaz, Aragonês da Peceguina e Marias da Malhadinha são bem feitos. Afirmam-no outros mais entendidos do que nós. No que ao design de imagem diz respeito, são um equívoco. Entre o profissionalismo e o apego familiar paira uma espécie de fronteira mal definida. O que salta à vista nos rótulos é mesmo a combinação estranha das "imagens de infantário" com a tipografia utilizada (clássica — Trajan — nos títulos e moderna em caixa baixa — Univers — no resto da informação, no Monte da Peceguina, por exemplo). De pouco servirá o verniz Braille e o cuidado na impressão. Vinhos de preço considerável e de qualidade elogiada (sem dúvida o atributo mais importante!) mereciam um trabalho erudito a todos os níveis.

Depois da visita à bela Herdade da Malhadinha Nova, e na sequência de um excelente almoço degustação acompanhado pelos não menos excelentes vinhos da casa, não deixámos de nos interrogar, no regresso, como seriam a gastronomia e a enologia da herdade se fossem entregues aos palpites das crianças da família. Parece um exagero mas é uma analogia legítima que qualquer especialista em design de comunicação faria.

O design visual é hoje, cada vez mais, uma exigência que se impõe a toda a comunicação. Não deve ficar preso a estratégias emocionais, personalizadas, principalmente quando o cliente paga, a concorrência é muita e o léxico expressivo vasto, complexo, e exige saber na sua articulação.



segunda-feira, 14 de junho de 2010

Branca de Almeida/Bela Silva

A imagem do vinho Branca de Almeida Tinto 2004, da Herdade dos Coelheiros, merece um elogio. O seu rótulo apresenta, em diálogo coerente e de bom gosto, informação e poética. Impresso num papel de qualidade e a ouro — adequados a um vinho de preço considerável —, nele se combina a imagem pictórica da artista Bela Silva com a informação bem desenhada (composição clássica do texto, em triângulo, encimada pela elegante marca tipográfica da casa produtora). A reprodução, em estilo art déco, mostra uma cena (aparente) de caça, em tons avermelhados. Remete para a pintura alegórica, pelo seu carácter simbólico, propondo uma leitura aberta: duas figuras femininas conversam montadas num cavalo com cabeça de cão, alheadas dos cães e gamos que as rodeiam.

Merece, também, nota positiva a caixa que acompanha a garrafa. Embalagem global que constitui uma bela oferta ao mesmo tempo que dignifica o investimento no vinho.

O único senão prende-se com o chamado contra-rótulo: não se entende a opção pelo tipo Kabel para o texto descritivo. A relação entre o estilo da pintura e do tipo de letra — art déco — não se justifica para um texto informativo tão extenso. A sua composição não acompanha a qualidade do rótulo, apresenta aberturas (pela coluna de texto justificada e sem hifenização), e uma relação corpo/entrelinha negligente. A corrigir numa próxima edição.

Depois da crítica negativa aos rótulos que reproduzem imagens de artistas com design insípido ou descaracterizado, a imagem do vinho Branca de Almeida vem provar que as artes plásticas (pintura, desenho) ou a ilustração podem potenciar o carácter, a comunicação e o valor de um vinho desde que os requisitos de design global sejam assegurados.




terça-feira, 25 de maio de 2010

A sabedoria do tempo — o vinho e o design

O vinho é uma substância que comporta a sabedoria do envelhecimento e se enobrece com ela. Com auxílio do tempo, a uva amadurece, a fermentação conclui-se e as substâncias que compõem o vinho amaciam-se, adquirindo formas e características novas, únicas, nobres. Foi mais ou menos com estas palavras que o filósofo e ensaista francês Gaston Bachelard relacionou o tempo com o vinho. Palavras que poderiam também reportar-se ao design. Embora a ideia que se generalizou tenha sido a de que o design se alimenta da moda, da efemeridade e da substituição, a verdade é que o bom design, quando comporta a sabedoria do tempo, enobrece-se, tende a ser duradouro e propiciar novas leituras e usos. O mau design comporta-se geralmente em sentido contrário. Descaracteriza-se, cansa e não resiste a novos contextos. É curioso constatar como um sofá "Corbusier" desenhado nos anos 20 resiste mais no corredor de um centro comercial do que o próprio símbolo/logótipo da empresa sua proprietária (falamos da Sonae, neste caso).

Uma imagem bem desenhada, para um vinho que a mereça, deveria resistir ao tempo. Não será pois de estranhar que abundem — e se mantenham — os exemplos clássicos de casas francesas. Ou os exemplos intemporais das garrafas de Porto, serigrafadas ou em "stencil". A novidade nunca será, em absoluto, sinónimo de qualidade.



quarta-feira, 5 de maio de 2010

Rótulos de artistas (2)

Quando no artigo anterior afirmámos que o design do rótulo Pequeno Pintor 2006 é muito mau, nomeadamente quanto ao seu texto manuscrito — de mau desenho —, referiamo-nos ao exemplar que se mostra. As letras, tipográficas ou caligráficas, exigem saber e habilidade… A merecer urgentemente uma mudança.